Canal dois
Na mureta do canal 2
Do que já era um pecado fizemos dois
E tantas coisas indizíveis
Tantas confissões retrospectas
Tanta loucura e solidão
Estampadas nas paredes do meu quarto
Tanta intimidade com a morte e com o infinito
Tanta família pela periferia e tão longe
Simultaneamente
E nós assistindo nossas vidas
Tão sufocadas e moídas
Tão indefesas à mercê do tempo
E só o amor pra celebrar
A grande colheita da vida
A grande mesa de café da manhã
Onde todas as virtudes são servidas a prato cheio
E nós dois lá no canal dois
Observando tudo isso
Passeando entre a lua, a areia e as estrelas.
(Daniel Lavorato – 21/07/1997)
Entre o céu e a terra
Sempre que há um encontro
De amizades
De amor
De energias
De idéias
Uma estrela no céu se apaga
E uma outra ainda maior se acende
E os pólos anseiam uns por outros
Mas as areias do destino insistem em iludir
E hoje o que estava em pó envolto
Amanhã e agora mesmo existe ao se despir
E à meia lua ensolarada deste véu
Caiu escura inalterada em papel
A clara e turva estrela amada deste céu
Gota de orvalho em brilho ofuscante
Raiou louvada lua dos amantes
Em homenagem ao que é hoje
E ao que já era antes!





1 Comentários:
Aquele primeiro eu já havia lido e achei mó legal...
o segundo é lindo tb...
Bjins.
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